Normalização de trabalhos acadêmicos


01/09/2015


NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS – CURSO NA ABNT EM SETEMBRO DE 2015

 

Dias 17/09/2015 - 18/09/2015

Av. Paulista, 726 - 10º andar - Bela Vista - SÃO PAULO/SP.

Contato: cursos@abnt.org.br

 

Contato com este blog: jbmiquelao@uol.com.br

 

 

Escrito por João Bosco às 13h50
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30/08/2015


 

SOBRE O PINGUIM QUE APARECE NESTA PÁGINA

 

 

O pinguim [hum...que saudade do trema!] que aparece acima não é uma ave comum. Trata-se de Tux, que virou mascote e logotipo do Linux, o sistema operacional “aberto” mais famoso do mundo. O criador de Tux foi Larry Ewing, vencedor de um concurso para escolher a imagem ideal de um pinguim que representasse bem o Linux (gordinho, feliz, com cara de quem comeu muitos peixes!).

 

Escrito por João Bosco às 17h25
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27/08/2015


OPORTUNIDADE

 

UNIVESP abre concurso público para professores em oito áreas


Podem se candidatar profissionais com doutorado; remuneração mensal será de R$ 10.049,57

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) abriu concursos públicos para vagas de Professor Doutor em oito áreas: Química, Física, Biologia, Engenharia de Computação, Engenharia de Produção, Gestão Empresarial, Matemática e Metodologia e Gestão de Ensino a Distância (EaD).

A contratação na categoria de Professor Doutor se dará sob regime CLT, em Regime de Tempo Integral (RTI), com remuneração mensal de R$ 10.049,57. As atividades serão realizadas presencialmente na sede da UNIVESP, na capital paulista.

Podem se candidatar profissionais com graduação e doutorado nas áreas especificadas. A seleção dos candidatos será realizada por meio de provas escrita, de títulos, de arguição e didática.

Os editais e formulário de inscrição podem ser acessados no endereço: www.univesp.br/concurso-docente

 

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Escrito por João Bosco às 09h31
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22/08/2015


 

 

GRUPO NORMALIZADORES

 

Este espaço tem como principal objetivo discutir a aplicação das normas da ABNT e prestar orientação às pessoas interessadas.

 

O grupo Normalizadores, que mantém este blog, é composto de ex-alunos de um curso ministrado pela ABNT em junho de 2004 na cidade de São Paulo.

 

Também fazem parte deste grupo outras pessoas convidadas, cujas atividades se relacionam com trabalhos acadêmicos, como é o caso da Professora Kátia Martins, de Belém, PA, e a Bibliotecária Emilce Maria Diniz, de Belo Horizonte, MG.

 

Eventualmente este blog atua como uma oficina de palavras, espaço em que se estudam questões atuais e curiosidades da língua portuguesa. Aqui também se discutem aspectos relacionados à arte de traduzir e assuntos sobre segurança na internet.

 

Devido ao sucesso obtido com a publicação de um microconto (crônica) no dia 29 de janeiro de 2010, publicaremos eventualmente esse tipo de produção literária, tanto as nossas crônicas como as de autoria de colaboradores deste blog.

 

Para ler mensagens recentes, role a página.

 

Caso v. queira ver discussões antigas, procure-as nos links ao lado de acordo com os assuntos constantes do índice publicado no dia 1º de junho de 2012.

 

 

Moderador: João Bosco Miquelão (tradutor, revisor de textos acadêmicos e técnico em informática).

 

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Escrito por João Bosco às 12h25
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21/08/2015


UM DISCURSO QUE RELEMBRA FATOS INTERESSANTES DE NOSSA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

Cinquentenário de Formatura - UMG 1965

 

Excelentíssimos Senhores Professores Dr. Tarcizo Afonso Nunes, diretor da FMUFMG; Dr. Ângelo Barbosa Monteiro Machado, professor homenageado que tão bem saudou a turma de 1965; Dr. Mário Dias Corrêa, em nome de quem cumprimento os demais participantes da mesa. A escolha do Professor Dias Corrêa para representar as demais autoridades se deve ao fato de que, segundo o Dr. Wilson Luiz Abrantes, cirurgião emérito, de Tiradentes para cá todo mundo foi aluno do Mário (Nesse momento, o Professor Dias Correa interrompeu o orador e afirmou que Tiradentes havia sido péssimo aluno).

Amigas e amigos,

Quando ingressamos na Faculdade, a Segunda Guerra Mundial se encerrara havia 15 anos. Supúnhamos que o conflito acabara havia muito tempo. Hoje, fatos que se passaram há 15 anos ocorreram anteontem.  Na mocidade, o relógio anda lentamente. Na velhice, os dias passam num átimo. A moda era ser de esquerda e falar mal dos americanos. A tomada de Havana ocorrera em janeiro de 1959, ou seja, quando nos preparávamos para fazer o vestibular. Havia grande simpatia para com os barbudos de Cuba. As matanças no “paredón” eram minimizadas. Vira e mexe, a Standard Oil era acusada de interferir nos destinos do País. Desde 1911, aquela companhia havia sido desmembrada, prosperando, no Brasil, a marca Esso, do Repórter Esso. Fato na época não comentado era que o dinheiro para montagem dos laboratórios moderníssimos que inaugurávamos fora doação da Rockfeller Foundation.

O geólogo americano Walter Link, contratado pela Petrobras tinha estudadoas terras brasileiras, visando à busca de jazidas de petróleo. Esse americano escreveu três cartas, em 1960 e uma, em 1961. As cartas ficaram conhecidas como Relatório Link. Nele, o geólogo desaconselhava pesquisa de petróleo na Amazônia, e dizia que as reservas em terras brasileiras eram muito escassas, embora as perspectivas de Sergipe e Bahia fossem melhores. Aconselhava pesquisas no mar, na plataforma continental, procedimentos que estavam se iniciando no Golfo do México. Link foi execrado e chamado de espião dos USA. Afinal “o  petróleo era nosso”. Grandes recursos foram desviados para pesquisar petróleo nas áreas desaconselhadas por Link, até por motivos ideológicos, com grande desperdício de dinheiro. Hoje, passados 55 anos, as ideias de Link se confirmaram e a Petrobras foi assaltada, passando a ser considerada uma empresa de segundo time. O Brasil quase só produz petróleo nas bacias marítimas. Nós, alunos, podíamos escolher entre sermos nacionalistas ou entreguistas burgueses.

Veio a reforma universitária e instalou-se o regime do curso médico de cinco anos. Fomos da turma dos cinco anos e meio, na transição. Dizem que o regime não deu certo. Nunca li um estudo sério mostrando diferenças entre o saber ou o sucesso profissional dos médicos formados com seis, cinco e meio ou cinco anos. Parece que deu no mesmo.  O que lamento profundamente é que nos cinco anos e meio de Faculdade, nunca tivemos aulas de filosofia, literatura, história, língua estrangeira e noções de funcionamento do estado, disciplinas que deveriam ser ensinadas sob o título genérico de Humanidades.

A Faculdade formou excelentes profissionais. Com um enfoque diferente, teria formado melhores cidadãos. Humanidades, preenchendo a quarta parte do currículo escolar, durante todo o curso universitário, é um projeto do Professor Cláudio Moura Castro, já implantado com sucesso em faculdades particulares. Com relação aos livros que líamos, destacam-se os de Hermann Hesse (O lobo da estepe, Sidarta), Erich Fromm (A arte de amar). Nunca li uma linha desses autores. Já, com relação aos livros de Jorge Amado, li-os quase todos. Repercutíamos piadas do tempo dos nossos pais.

Um telegrama, sobre a guerra sino-japonesa iniciada em 1937, avisava: – “Situação está preta na China. Tropas de Chiang Kai-shek estão evacuando Nanquim”. Eurico Gaspar Dutra, presidente, tinha ido visitar Harry Truman. Ao se encontrarem, Truman perguntou: – “How do you do, Dutra?” O general brasileiro respondeu: – “Howtruyoutru, Truman”. No nosso meio, drogas não havia. Tabaco, cerveja e a cachaça eram largamente consumidos.  Em 1960, a população brasileira era de 70.992.343 habitantes e a expectativa de vida ao nascer era de 48 anos. Em Belo Horizonte, os fícus da Avenida Afonso Pena ficaram infestados por tripes, insetos daordem Thysanoptera. O prefeito era Amynthas de Barros. Os insetos ganharam o nome de ”amintinhas”. Repetíamos a quadrinha popular, falando mal do prefeito: – “Adão foi feito de barro, de barro bom e batuta. Mas esse Amynthas de Barros, ô barro filho da p...”.

No DCE e no DA Alfredo Balena, dançávamos sob o som das músicas românticas do repertório de Ray Coniff. Alguns sabiam dançar “twist”. Em 1961, houve a renúncia do Presidente Jânio Quadros, um dos maiores vilões da História do Brasil. Após a emenda parlamentarista, permitiu-se a posse de João Goulart.Em 1961, foi lançado o filme “The hustler” (o trapaceiro, o embusteiro), aqui chamado “Desafio à corrupção”, com Paul Newman. O tema do jogo era a sinuca. Um gordinho chamado Minnesota Fats era um assombro naquele jogo. O filme fez grande sucesso. Muitos da turma jogavam sinuca, especialmente no Brunswick, na Rua Espírito Santo.  Em 1962, um grupo grande matou aula à tarde, para assistir no Cine Brasil ao “O satânico Dr. No”, com a sensacional UrsulaAndress  e Sean Connery interpretando James Bond, o agente 007.

O cinema francês era muito prestigiado: Brigitte Bardot, Marina Vlady e Jeanne Moreau eram as artistas francesas preferidas. Jean Gabin, Alain Delon e Jean-Paul Belmondo eram os preferidos. A Itália nos brindava com Marcelo Mastroiani em “Divórcio à italiana”. Gina Lolobrigida, Claudia Cardinale e Sofia Loren faziam enorme sucesso. Ingrid Bergman, simplesmente, uma deusa. No Brasil, o ícone era Norma Bengell que protagonizou o primeiro nu frontal no cinema nacional. Num concurso para eleger o maior homem do século vinte, fui vaiado, na lanchonete do Hospital Felício Rocho, ao escolher John Fitzgerald Kennedy. Expliquei que Kennedy teve rumorosos casos com Marilyn Monroe, Kim Novak e Angie Dickinson, atrizes por quem fui apaixonado. E ainda tinha sua bela esposa, Jacqueline. Esse cartel o qualificava como o maior homem do século XX.  Após as explicações, as vaias arrefeceram. Aliás, Kennedy foi o herói do PT. Tratava-se do “PT 109”, filme sobre o Patrol  TorpedoBoat109 que foi posto a pique pelos japoneses, na Guerra do Pacífico, ato que teria ensejado atitudes heroicas de Kennedy, herói do PT.

Pergunta que não se calava entre os colegas era: – “Em vereda de paca, tatu caminha dentro?” Essa questão monumental foi solucionada pelo Caveira, aluno um ano na nossa frente, goleiro do escrete da Faculdade: ­– “Se a paca for na frente, tatu caminha atrás”. Quando estávamos no terceiro ano, tivemos a “Greve do Terço”, que exigia que a Congregação fosse composta de um terço de alunos. Perdemos as primeiras provas parciais e a greve terminou sem que houvesse ganhos por parte dos alunos. Afinal, agíamos como carneiros conduzidos pelo grupo da esquerda, onde pontificava uma figura indecifrável, futuro governador de estado (Henrique Santillo, não nomeado pelo orador). Em 1961, começou a ser construído o Muro de Berlim. Em 1967, fui a Berlim Oriental e pude presenciar a miséria que o socialismo real propicia.

Em novembro de 1989 houve a queda do Muro. O brasileiro é altamente politizado. Naquele dia, a principal manchete dos jornais brasileiros foi: – “Sílvio Santos não será candidato à presidência”.Em 1964, houve o golpe militar, entusiasticamente saudado pela população. O golpe se transformou em tirania e deu no que deu. Na república “Remanso de Hipócrates”, na Avenida Bernardo Monteiro perto do Pronto Socorro Policial, havia o jogo de pôquer que alternava cobranças e anistias aos devedores. No meio de uma aula, um colega pedia licença ao professor e anunciava: – “Turma da sessão anatomoclínica. Reunião agora. Novo cadáver”. Os habituais jogadores de pôquer pediam licença ao professor e se mandavam. Sessão anatomoclínica era a senha para o jogo. Cadáver era uma alusão ao baralho, novinho em folha. E a jogatina ia até tarde no “Remanso de Hipócrates”.

Para podermos comentar, ouvíamos a “Radio Habana Cuba – Territorio libre enAmerica”. Em 1962, houve a cisão do Partido Comunista Brasileiro, que deu origem ao PCdoB (maoísta). A Rádio de Pequim era facilmente sintonizada em ondas curtas, no tempo reservado à “Hora do Brasil”, transmitida pelo governo brasileiro. Pequim se batia contra os “porcos revisionistas soviéticos” e exaltava a Albânia. Nenhuma palavra sobre a matança de aves, ordenada por Mao Zedong entre 1958 e 1960. As aves,  segundo o Grande Timoneiro, comiam as safras de cereais. Espantadas com ruídos ensurdecedores, de dia e de noite,  caiam no chão exaustas e eram mortas. Com o massacre das aves, houve uma brutal proliferação de insetos que levou a uma grande fome.Morreram milhões de chineses.

Khruschev, secretário PCUS desde1953, foi deposto em 1964 por Leonid Brejnev. Martin Luther King Jr., em sua pregação pelos direitos civis dos negros americanos, chamava muita atenção. Foi assassinado em 1968, tornou-se um mártir. Apreciávamos muito Stanislaw Ponte Preta, o Sérgio Porto, com sua Fototeca Lalau e coleção de fotografias de suas “certinhas”. Gostávamos de samba e cantávamos repertórios de Jorge Veiga e Moreira da Silva, o Morengueira. Juca Chaves criticava Juscelino, o presidente bossa nova. Apreciávamos Tom Jobim e Vinícius de Morais. Carlos Lira musicou o famoso Disco da UNE que passou a circular, clandestinamente, após o golpe militar. Ouvíamos rádio para acompanharmos jogos de futebol e o PRK30, programa humorístico da Rádio Mayrink Veiga. Aldair Pinto fazia programa de auditório “Só para mulheres” na Rádio Inconfidência.

Certa feita, programa ao vivo, aconteceu a seguinte situação. Aldair falava: – “Só para mulheres, Rádio Inconfidência, Sapataria Lili, uma boneca de sapataria. Pergunta da semana, valendo quinhentos cruzeiros. Para a senhora ali, de blusa vermelha: –Monossílabo, começa com c e termina com u, quanto mais limpo, mais bonito. – É cu. – Não, é céu. A senhora acaba de perder quinhentos cruzeiros”. Olavo Leite Bastos, o Kafunga, ex-goleiro do Atlético, falava impropriedades no rádio e nós nos divertíamos. A palavra ecologia era quase desconhecida. Uma pergunta “macete”, que caía na prova de Biologia, no vestibular era –“O que é ecologia”. Hoje, qualquer criança nos explica o que é ecologia. Em 20 de novembro de 1963 os fícus da Avenida Afonso Pena foram cortados, obra do Prefeito Jorge Carone Filho. E o Brasil de hoje? Andamos amedrontados, violência inaudita, estado obeso e ineficiente. Não nos preocupamos com formação de elites. Pouquíssimos centros como o ITA, a Embrapa, a Escola de Agronomia de Viçosa, formam elites. Nos países civilizados, a formação de elites é valorizada. Aqui, com essa moda de isonomia, todos têm que ser tratados da mesma maneira. O princípio da equidade é mais justo: - “Tratar os desiguais de forma desigual”.

Espero não ter provocado muito sono nos presentes. Abraços fraternos a todos.

 

José Carlos Ribeiro Resende Alves, 14 de agosto de 2015.

 

O orador, um dos cirurgiões plásticos mais respeitados de Belo Horizonte, é filho do professor João Baptista de Resende Alves. Seu pai, também médico, foi professor de Técnica Operatória e Cirurgia Experimental e fundador do Hospital Mário Penna, onde desenvolveu um notável trabalho dedicado aos pobres. 

 

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Escrito por João Bosco às 10h20
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19/08/2015


FELIZ ANIVERSÁRIO!

 

Registramos o aniversário da socióloga Marina dos Santos Pereira, de São Luís, Maranhão, leitora e divulgadora deste blog na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

 


A professora Marina é Mestre em Saúde e Ambiente pela Universidade Federal do Maranhão.

 

De um sorriso contagiante, a simpática aniversariante é autora de vários estudos sobre o trabalho das parteiras tradicionais do Maranhão.  A professora Marina também é admirada por sua competência e estudos desenvolvidos nas áreas de Antropologia e Educação a Distância.

 

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Escrito por João Bosco às 09h22
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16/08/2015


CRÔNICA DE HOJE

Os exóticos de minha terra

João Bosco Miquelão

 

 

Eu era uma criança como as demais. Aos dez anos era o único filho menino do casal e tinha quatro irmãs.

Depois da escola as brincadeiras eram as de sempre: jogar futebol num gramado perto de casa, brincar de “artista” com os amigos - brincadeira que consistia em imitar os personagens dos seriados do cinema – e, às vezes, brincar com as irmãs, primas e até uma tia. Naquela época as famílias eram muito numerosas, sendo comum um neto mais velho - que era o meu caso – ser quase da mesma idade de um tio ou tia.

Eu fazia o papel masculino: pai de família, padre, dentista ou médico. Meu trabalho como médico consistia de anamnese, em que eu ouvia atentamente as queixas das pacientes. Às vezes receitava um copo d’água com duas ou três amoras, fruta que tínhamos em abundância no quintal de nossa casa.

No papel de dentista eu mandava a paciente abrir a boca e quase sempre descobria alguma pequena cárie. A cavidade era logo tratada com um pedaço de algodão embebido de tintura de iodo e introduzido no “buraco do dente”. Muitas vezes usei um pequeno martelo para forçar o prego e fixar o pedaço de algodão.

O papel de padre era o de que eu mais gostava. Sentia-me à vontade, pois tinha vocação para o sacerdócio, já era coroinha, sabia de cor as frases em latim, recitadas nas missas, e ouvia as meninas em confissão.

Eu era um padre sádico, pois me comprazia em aplicar penitências severas a minhas fiéis pelos “pecados” mais leves, como plantar bananeira por meia hora, ficar muda durante o resto da tarde ou não comer a sobremesa do jantar.

Sem TV, as pessoas ouviam rádio, principalmente à noite. Mas eram programas para adultos, eu não os entendia e não gostava daquelas radionovelas. Depois de fazer o “para casa”, contávamos histórias, casos de assombrações ou brincadeiras como “passar o anel” ou “mamãe, posso ir?”.  Não havia como evitar ir para a cama mais cedo.

Eu tinha o hábito de relembrar as coisas acontecidas durante o dia antes de dormir. Fechava os olhos, fingindo que dormia, e pensava na nossa cidade, nos colegas da escola, nos parentes, nos amigos e nas pessoas exóticas de nossa terra.

Certa noite comecei a pensar na Maria Jovita, uma mulher idosa, que se embriagava e saía pelas ruas falando coisas desconexas.

Em seguida aparece na minha mente a figura do Inhô Lu, também idoso, muito claro, de pele enrugada, sempre acompanhado de um cachorro. Ele vivia da caridade da população. Todos lhe davam comida e roupas usadas.

Naquele desfile surge Zé da Lata, negro, idoso e esbelto. Usava uma barba branca que lhe dava uma aparência de pai de santo. Era briguento, falava palavrões e vivia se envolvendo com a polícia.

Uma figura inesquecível era a de Antônio da Paixão, que vendia bilhetes de loteria. Moreno escuro, alto, o excêntrico andava sempre descalço e de terno de brim caqui. Gostava de enfeitar-se com insígnias e broches. Os símbolos da Maçonaria, da Adoração do Santíssimo Sacramento e da Fraternidade Rosacruz conviviam pacificamente na lapela de seu paletó.

O barulho da chuva no telhado me fez adormecer.

De madrugada ainda chovia. Acordei com alguém na rua recitando, em voz alta, umas palavras em latim que eu conhecia muito bem: Introibo ad altare Dei, ad Deum qui laetificat juventutem meam!

Zé de Minga! Como me esqueci do latinista? Ele era alfaiate, tinha emprego fixo e morava perto do cemitério. Zé de Minga começava a beber no sábado, à tarde, e a bebedeira se estendia pela noite inteira. Quando voltava para casa, cambaleando, passava em frente à nossa casa. Também fora coroinha e chegara a estudar latim num seminário. Virou adulto, ficou velho e talvez tenha feito o propósito de jamais abandonar a bebida e o latim.

 

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Escrito por João Bosco às 15h37
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11/08/2015


CRÔNICA DE HOJE

Passando pelo Dia dos Pais

Áurea I. Miquelão

 

Domingo, nove de agosto, comemorou-se o Dia dos Pais. Dentre as muitas mensagens e vídeos que recebo diariamente do grupo de amigos, um me causou um misto de surpresa e de evidência. Surpresa porque vi a situação escancarada, e evidência pelo fato de já ter constatado em minha trajetória de trabalho. Era uma saudação à Mãe/Pai.

Analisando, a palavra paternidade refere-se a ambos os pais pelo compromisso de zelar pelo filho. Por exemplo, quando somos chamados pela escola para uma Reunião de Pais. O plural é masculino.

Sendo a função paterna exercida pelo par parental, simbolicamente falando, observamos, no entanto, uma maior atuação da mãe. Pesquisas no campo social revelam a preponderância de lares onde a mulher incumbe-se, sem alternativa, da sobrevivência e criação dos filhos. Lares sem a presença física e até mesmo simbólica do homem / pai.

Salvos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente ( Lei 8.069, de 13 de julho de 1990) que ampliou o espaço jurídico sobre a infância, muitas crianças e jovens continuariam com o predicativo de “Filhos de Pai Desconhecido”.

 

Analisando por este viés, a referência à Mãe no dia dos Pais ganha seu sentido.

 

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Escrito por João Bosco às 16h05
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06/08/2015


A ABNT INFORMA

 

ALERTA DE PROJETO

 

Foi colocado em consulta nacional o Projeto n.º ABNT/CB/014 (Informação e Documentação).

Trata-se da NBR 6023, a norma que dispõe sobre referências. Ela não sofre alterações desde agosto de 2002, época em que entrou em vigor.

 

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Escrito por João Bosco às 13h33
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03/08/2015


CRÔNICA DE HOJE

 Uma usina hidrelétrica e dois Presidentes da República

João Bosco Miquelão

 

 

Com o início de sua construção em 1957, a Usina de Três Marias era considerada pelo Presidente JK como uma das mais importantes obras de seu governo.

A maior barragem de terra do mundo tinha a função de regularizar a vazão do Rio São Francisco, atenuando as terríveis enchentes que atormentavam periodicamente a cidade de Pirapora. A conclusão da obra também propiciaria ao grande rio chegar com pouca alteração de volume na região do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso, quer na seca, quer na época de chuvas.

Três Marias também irrigaria o cerrado e geraria quase 400 mil kW, uma importante contribuição para uma indústria que crescia e demandava energia elétrica desesperadamente.

O acampamento dos que trabalhavam na obra era uma pequena cidade com comércio e dotado de vários serviços essenciais: correios, corpo de bombeiros e até uma delegacia de polícia e clube de recreação. Depois de concluída a obra, em 1962, todas as edificações e sua infraestrutura passaram a fazer parte do distrito de Barreiro Grande, do município de Corinto, nome da cidade de Três Marias antes de emancipar-se.

O acampamento dos americanos era admirado por sua beleza e boa organização. Cada casa era pintada com uma cor diferente, cada uma ostentando um belo jardim e uma placa com o nome de cada família – White’s, Mc Cormack’s, Newman’s etc.

Durante o seu governo Juscelino fez várias visitas-surpresas à construção da usina. O administrador das obras já ficava arrepiado quando via na mão do contínuo o radiograma com a palavra urgente impressa em vermelho, uma mensagem que avisava sobre o pouso do bimotor Beechcraft com uma antecedência que raramente excedia a 30 minutos.

A correria era geral, pois a visita do Presidente sempre coincidia com o horário de almoço, e o frango com quiabo, prato predileto de Juscelino, não podia faltar.

Essas visitas continuaram cada vez mais frequentes até o final do governo de JK em janeiro de 1961.

Nos sete meses de seu curto governo Jânio Quadros não chegou a visitar Três Marias.  

Na programação para a inauguração da grande obra, prevista para o dia 25 de julho de 1962, estava acertada a presença do sucessor de Jânio Quadros, João Goulart.

A administração da obra levou um enorme susto no dia 20 daquele mês ao receber um radiograma do escritório de Brasília com a seguinte informação: “Favor colocar veículo à disposição de João Goulart. Ele chegará ao aeroporto de Três Marias hoje, dia 20, às 17 h”.

Todos fizeram a mesma pergunta: por que o Presidente faria duas viagens a Três Marias num intervalo de cinco dias?

E a correria foi geral, como nos tempos de Juscelino. Pelo adiantado da hora, o Presidente certamente iria jantar no acampamento e, provavelmente, até pernoitar no pequeno hotel de visitantes.

Às 17 horas, pontualmente, o avião aterrissou no aeroporto. A comitiva, composta pelo superintendente da obra, o delegado de polícia e mais alguns funcionários graduados ficaram intrigados com um detalhe fora do comum: por que o Presidente havia decidido viajar num monomotor, um avião tão minúsculo?

E logo o mistério ficou esclarecido: João Goulart, ao descer do avião, mostrou-se visivelmente constrangido com aquela recepção, pois nunca tantas pessoas o haviam esperado na chegada a uma obra. Afinal, ele, João Geraldo Esteves Goulart, era somente o chefe do Departamento de Transportes da empresa.

 

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Escrito por João Bosco às 17h28
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AULA DE PORTUGUÊS DE HOJE

Maria Tereza de Queiroz Piacentini*

 

 

Do leitor Francisco Leoncio Cerqueira, de São Paulo, recebi o seguinte comentário:

 

Tenho visto com frequência em revistas, jornais e até livros uma pontuação que me parece inadequada e me soa mal. Veja os seguintes exemplos:

 

O gerente ficou mais bonzinho e o motor, mais malvado.

 

A aeronave foi isolada e os passageiros, impedidos de desembarcar.

 

Carro popular fica mais caro e de luxo, mais barato.

 

A esquerda europeia reconhece seus ancestrais e a direita, seus inimigos.

 

A saída para a crise é de longo prazo e a receita, ortodoxa.

 

A empreiteira implodiu o edifício e o ministério, seus opositores. [Pode-se entender que a empreiteira tinha dois opositores – o edifício e o ministério – e os implodiu.]

 

O jornalista desconhece a ortografia e o dicionário, a sintaxe e a pontuação. [Pode-se entender que o jornalista desconhece quatro coisas: ortografia, dicionário, sintaxe e pontuação.]

 

O Planalto fritou o ministro e o cozinheiro, frutos do mar. [sentido ambíguo]

 

O prisioneiro denunciou o amigo e o empresário, seus cúmplices. [idem]

 

O médico atendeu o paciente e a enfermeira, os feridos. [idem]

 

O que me parece é que os redatores têm receio de colocar a vírgula antes do e. [...] Outra explicação seria a de que a vírgula está substituindo o verbo, oculto por elipse. O que eu aprendi em mil novecentos e antigamente é que a vírgula pode ser usada para indicar a elipse do verbo. Mas neste caso ela não precisa ficar no lugar que seria o do verbo. Acho até mais razoável repetir o verbo, em vez de usar essa pontuação absurda. Na maioria dos casos, para corrigir essa pontuação, basta deslocar a vírgula. Em outros será necessário recorrer a ponto e vírgula ou ponto. Em raros outros, será melhor alterar a própria redação.

 

É isso aproximadamente que proponho no livro Só Vírgula. Ou seja: há opções de redação. Reitero que não há erro em nenhuma das frases apresentadas acima; no entanto, algumas (as últimas) ficariam melhores com outra pontuação, sem dúvida.

 

Considero ainda que em muitos casos basta a vírgula antes do e:

 

O carro popular fica mais caro, e o de luxo mais barato.

 

Os liberais ou radicais ficavam sentados à esquerda do orador, e os conservadores à direita.

Em 25 de fevereiro de 1975 o governo convocou a V Conferência de Saúde, e em março de 1977 a VI Conferência.

 

Quando aparece o verbo ser, pode-se pensar até em repeti-lo:

 

O Brasil reúne dois defeitos: o dinheiro é curto (30 mil reais por aluno até os 15 anos) e a distribuição dos valores é heterogênea.

 

Entretanto, há frases sem a conjunção e entre as duas orações. Aqui é preciso, então, usar o ponto e vírgula no lugar onde estaria o E, para separar com clareza as duas orações. Lamentavelmente não foi o que fez a revista Istoé ao transcrever declaração do ator Murilo Rosa: “A tevê confere visibilidade, o teatro, prestígio.” A transcrição correta e clara seria com um ponto e vírgula no meio da frase: “A tevê confere visibilidade; o teatro, prestígio”. 

 

Outro mau exemplo sem a conjunção e foi encontrado numa prece:

 

Torna-me refletido, mas não ranzinza, serviçal, mas não autoritário.

 

Melhor redação seria esta:

 

Torna-me refletido, mas não ranzinza; serviçal, mas não autoritário.

 

* Maria Tereza de Queiroz Piacentini  é Diretora do Instituto Euclides da Cunha e autora dos livros 'Só Vírgula', 'Só Palavras Compostas' e 'Língua Brasil – Crase, pronomes & curiosidades' - www.linguabrasil.com.br

 

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Escrito por João Bosco às 11h22
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02/08/2015


ESTAMOS COMEMORANDO A 42.000.ª (QUADRAGÉSIMA SEGUNDA MILÉSIMA) VISITA A ESTE BLOG!

Escrito por João Bosco às 18h58
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31/07/2015


CRÔNICA DE HOJE

Vespas e marimbondos

João Bosco Miquelão

 

Quando criança sempre gostei de viver junto à Natureza. Passei parte de minha infância numa região de muito mato, em que não faltavam borboletas, joaninhas, aranhas de todos os tipos, abelhas e as perigosas vespas.

 

Sempre admirei os dois últimos bichinhos. O modo com que as abelhas e as vespas vivem socialmente e trabalham é de causar inveja à humanidade.

 

Por falar em vespas, o nome que damos popularmente a esses insetos é marimbondo, termo menos aceito na linguagem erudita e até no dia a dia dos portugueses (estes, via de regra, não são afeitos a africanismos – basta dizer que muitos lusitanos não sabem o significado de palavras quinbundas como moleque, fubá e caçula).

 

Deixando de lado as particularidades de nossa riquíssima língua, voltemos às vespas, aliás, aos marimbondos.

 

No quintal de minha casa e na vizinhança era comum a presença de marimbondos de várias formas, mas o mais temido era mesmo o marimbondo-cavalo, também conhecido como marimbondo-caçador. Segundo diziam, sua picada era muito dolorida e podia até levar à morte.

 

Hoje vejo que esse temor não era infundado. Ao contrário das abelhas, os marimbondos podem picar uma pessoa mais de uma vez com ferrão de até seis milímetros, e nem sempre esses insetos picam para subjugar a presa ou só em legítima defesa.

 

Em outubro de 2013 um ataque surpreendente de marimbondos matou 42 pessoas e feriu outras 1.600 na China. Não se sabe se esse mau humor dos insetos foi causado por alterações climáticas; noticiou-se que os bombeiros só conseguiram debelar o ataque usando produtos químicos e incendiando os ninhos dos marimbondos.

 

O medo de marimbondos ainda me acompanha.

 

Um episódio que cheguei a atribuir a um marimbondo ocorreu comigo em certa ocasião.

 

Trabalhando como lojista, estava atendendo uma cliente quando senti algo que havia entrado pelo colarinho de minha camisa. A “coisa” desceu da parte posterior do pescoço para as costas. Não senti ferroadas, somente muito ardor, como queimaduras.

 

Fiquei desesperado diante da possibilidade de estar sendo atacado por um marimbondo-cavalo. Antes de me ferroar, estaria o marimbondo querendo me queimar?

 

Dançando segundo uma coreografia maluca, contorci-me, rebolei, dei pulinhos e rodopiei, para espanto da cliente.

 

Do lado de fora da loja um menino de uns dez anos acompanhava a cena, talvez mais assustado do que eu, pois ele era o culpado daquela performance grotesca de seu pai e do resultado surpreendente de uma brincadeira que ele fizera: jogara um busca-pé no chão para me assustar, mas a pequena peça pirotécnica foi encaixar-se exatamente entre o colarinho da camisa e a parte posterior de meu pescoço.

 

Mesmo sentindo dores no pescoço queimado, confesso que fiquei aliviado: não era um marimbondo!

 

 

 

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Escrito por João Bosco às 10h06
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30/07/2015


TRAJETÓRIAS DITOSAS DE ERROS DE TRADUÇÃO

 Eduardo Ferreira*

 

Não são raros, na longa história das traduções, os erros que fecundaram textos, produzindo resultados inesperadamente interessantes. Não se trata de erros banais, desses que pululam aos montes em qualquer tradução, literária ou não. Trata-se de erros que revelam desejos ocultos do tradutor, que mudam rumos dos textos e que produzem reflexões às vezes surpreendentemente criativas. Tudo com base num erro. Mal que vem para bem.  


Nenhum tradutor escapa às relações inextricáveis — por vezes inconfessáveis ou simplesmente inefáveis — que o unem ao texto traduzido. Há aí uma relação emocional de difícil análise. Como maternidade não reconhecida. Relação entre árvore e seu fruto. Elos sentimentais que não se vergam diante de qualquer argumento racional.


Às vezes uma alternativa de tradução é tão boa que não se pode deixar de considerá-la. Não se pode deixar de registrá-la. Não se pode deixá-la morrer. Sobrevive, se eterniza, mesmo como erro. Ou, noutros casos, o desejo do tradutor, de tão forte, aflora despercebido no texto. Deseja, sim, mas não se percebe como instrumento do desejo, ou como meio da realização de uma idéia. Algo que o escolheu como canal para plasmar-se no texto.


Um dos casos mais famosos de erros de tradução consta de um texto de Freud: Leonardo da Vinci e uma lembrança de sua infância. Freud traduz a palavra italiana “nibio” (milhafre, espécie de falcão) pela alemã “Geier” (abutre). Duas aves de rapina bem diferentes entre si. Não apenas carregam conhecidas conotações distintas, mas têm “desenhos” distintos. O desenho é importante no texto, pois se identifica no painel “A Virgem e o Menino com Santa Ana”, na roupa de Maria, a figura de um abutre, não de um falcão. É também importante porque, com base em hieróglifos egípcios, faz-se relação entre mãe e abutre. Nos hieróglifos egípcios — nos quais idéias eram expressas por meio de objetos desenhados — a mãe era representada como abutre. Sem o abutre, o texto perderia parte de seu encanto.


* Eduardo Ferreira é tradutor, diplomata e jornalista. Vive em Bruxelas (Bélgica). Fonte: http://rascunho.gazetadopovo.com.br/trajetorias-ditosas-de-erros-de-traducao/.

 

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Escrito por João Bosco às 09h07
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23/07/2015


NOVA CRÔNICA

A Plínica trunciflora do Havaí

João Bosco Miquelão

 

 

As ilhas havaianas estão entre os lugares mais bonitos do planeta – ela já sabia disso – mas a chegada sobre aquele mar azul de vários matizes, as praias alvas e aquela gente de cara alegre que caminhava em todas as direções no aeroporto não a faziam lembrar que se encontrava em território estadunidense.

 

O voo entre Los Angeles e Honololu foi perfeito e durou exatas cinco horas, com céu de brigadeiro e serviço de bordo impecável.

 

Como todo turista que recebe recomendações, seu primeiro passeio foi visitar a praia de Waikiki, a mais famosa de Honololu e da própria Ilha Oahu.

 

Ela ficou dois dias na Capital do 50º estado norte-americano, ganhou um típico colar de flores, conheceu as principais atrações locais, provou a gastronomia havaiana e conversou com os nativos.

 

Visitou a casa onde nasceu Barack Obama e locais onde foram filmados a série Havaí 5-0 e um dos Jurassic Park.

 

Já era hora de conhecer outros lugares do arquipélago, e no terceiro dia de viagem ela rumou a Maui.

 

Naquela ilha ela permaneceu dois dias e conheceu as atrações do lugar.

 

Em seguida foi visitar Kauai, deixando para os dois últimos dias a atração principal: a Big Island, a ilha em que se localizam os famosos e temíveis vulcões do arquipélago.

 

Big island, ou Parque dos Vulcões, outro nome como é conhecida essa ilha, é também um lugar lindo.

 

Kona, a cidade principal, é pequena e aconchegante. Uma de suas atrações é o palácio real havaiano e um sítio arqueológico à beira-mar onde às vezes é também possível admirar as tartarugas gigantes que frequentam o lugar.

 

À noite, já no hotel, conversando com o simpático gerente que foi bater papo com o grupo de turistas e conhecer suas impressões sobre aquela bela região, ela contou que ficaram impressionados com os montes nevados, a beleza dos vulcões, as lindas praias com ondas enormes e a simpatia do povo havaiano.

 

E o gerente sorridente gerente anunciou:

 

- Amanhã, antes de vocês partirem, vou mostrar-lhes uma planta rara e diferente que só é encontrada aqui no Havaí. Ela produz uma fruta saborosa, e vocês terão a oportunidade de saboreá-la. Temos uma árvore dela nos fundos do hotel.

 

No dia seguinte, cedo, com as malas já prontas na recepção do hotel, como cumprindo um ritual, em fila indiana o grupo acompanhou o gerente em direção ao que se poderia chamar de quintal.

 

A árvore era mesmo linda e estava carregada de frutos maduros. Eram pretinhos e pareciam deliciosos.

 

Com um largo sorriso o gerente aponta para a árvore e diz num inglês impecável:

 

- Apresento-lhes esta espécie rara – uma Plinia trunciflora!

 

Ao que nossa turista, única brasileira da turma, retruca em bom português:

 

- Jabuticabas!

 

Contato com este blog: jbmiquelao@uol.com.br

 

Escrito por João Bosco às 12h07
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